Flamengo dá bico no analfabetismo técnico e tático, e salva a honra do futebol brasileiro. Glória a Jesus!

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Depois de 38 anos, novamente o ‘Rei da América’

Se não fosse o Flamengo resgatar parte do bico dourado das chuteiras brasileiras, com o título de ‘Rei da América’ e a boa exibição contra o Liverpool na decisão do Mundial da mamãe Fifa, a temporada internacional do ludopédio verde e amarelo seria uma desastre.

A amarelinha desbotada faturou a Copa América, é verdade, mas aos trancos e barrancos. Um torneio bem mequetrefe! Depois, nos amistosos, saudou a galera com estonteante triunfo sobre a poderosíssima Coreia do Sul por 3 a 0. Empatou com Colômbia (2 a 2), Senegal (1 a 1) e Nigéria (1 a 1), e levou chumbo de Peru (1 a 0) e Argentina (1 a 0). Até a pachecada ficou envergonhada com Tite & Cia.

Na Copa Sul-americana, a segunda divisão da Libertadores, os magnânimos representantes tupiniquins tombaram vergonhosamente. Peixe, Bahêa, Galo e Corinthians foram defenestrados pelos uruguaios River Plate e Liverpool, pelo argentino Colón e pelo equatoriano Del Valle, respectivamente.

Na briga pelo caneco continental, sonho de 11 de cada 10 torcedores (inexplicavelmente rebaixam o Brasileirão), o vexame começou com a eliminação do soberano São Paulo diante do argentino Talleres na pré-Libertadores. Já o Galo quebrou o bico no grupo E – ficou atrás de Cerro Porteño e Nacional, do Uruguai.

A Raposa morreu no mata-mata contra o River Plate. O Furacão também deixou de soprar nas oitavas, contra o Boca Juniors. O Flamengo de Jesus ficou no bico da cegonha sem asas após ser derrotado pelo Emelec, do Equador, por 2 a 0. Devolveu o placar no ‘new Maraca’ e confirmou a vaga nos pênaltis (4 a 2).

Nas quartas, o Urubu despachou o Saci colorado (2 a 0 e 1 a 1) e, nas semifinais, arrebentou o Grêmio, que havia superado o badalado Palmeiras. No primeiro encontro, cariocas e gaúchos ficaram no 1 a 1, no estádio gremista. Na Cidade Maravilhosa das balas voadoras, uma goleada histórica: 5 a 0.

E o Urubu voou para a decisão contra o River Plate, em Lima, pela primeira vez em jogo único. Perdia por 1 a 0. Virou com dois gols na bacia das almas e quebrou um jejum de 38 anos sem dar a volta olímpica na Libertadores.

Passaporte carimbado para o Mundial, também fez a festa no Brasileirão. com uma chuteira nas costas – diferença de somente 16 pontos para o vice Peixe. Em Doha, superou o Al Hilal (3 a 1, de virada) nas semifinais e, na hora de a onça escovar os dentes, sucumbiu contra o poderoso Liverpool na prorrogação, gol do brasileiro Firmino. Encarou de frente os ingleses. Caiu de pé, com louvor.

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Mister, o revolucionário

Demorou cinco anos, mas finalmente Jesus apareceu… E deu-se o milagre, a revolução das chuteiras, o que deveria ter acontecido na Copa de 2014. Mais precisamente depois do histórico vexame em que a Alemanha pintou o sete no Mineirão. Muito se falou após a surra que Toni Kroos, Thomas Müller & Cia. aplicaram nos soldados do ‘sargento’ Felipão. Promessas de mudanças radicais, banimento dos eternos cartolas sanguessugas, CPIs da tragédia…

Nada, porém, aconteceu após ‘a bofetada’ alemã, ‘a humilhação’, ‘o Mineiraço’, ‘os sete Maracanazos’, ‘o pesadelo e a falência mental e coletiva dos brasileiros’ – palavras usadas pela mídia internacional depois do massacre. Trocou-se de treinador (Felipão por Dunga, que havia fracassado no Mundial de 2010) e nada mais. O futebol tupiniquim continuou se arrastando na incompetência, na mesmice.

Quatro anos depois, já com Tite na casamata, nova bordoada na Rússia, eliminação nas quartas de final para a Bélgica. E, novamente, nada mudou. A orquestra da mediocridade permaneceu desafinada até junho, quando Jesus aterrissou no ninho da Gávea.

Mais que arrebatar a faixa de campeão brasileiro e o título de ‘Rei da América’, o Flamengo de Jesus queimou muletas arcaicas que dominavam os ‘professores’ brasileiros: ‘Quem gosta de espetáculo deve ir ao teatro’; ‘Futebol bonito é o que conquista títulos’; ‘Prefiro ganhar de meio a zero a jogar bem e perder’; ‘O que vale é taça, mesmo com gol de mão’…

Jesus deu um basta ao pragmatismo, um bico no analfabetismo técnico e tático que garantiu fortunas a muitos treinadores. O desempenho voltou a ter destaque. Jesus, feliz novo 7 a 1! Dificilmente o raio cai duas vezes no mesmo lugar. O futebol brasileiro é mesmo abençoado pelos deuses da bola. Chega de propaganda enganosa!

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Pitaco do Chucky. Bozo, ano 1: a gente somos inútil…

Trio de Ferro enferrujado. Okay, okay: Palmeiras, soberano São Paulo e Corinthians se classificaram para a Libertadores (o tricampeão paulista para a pré). Apenas um prêmio de consolação. Uma brilhante temporada como coadjuvantes. O Palestra se propôs a ganhar tudo, passar o rapa nos troféus e… terminou ‘virgem’. O Tricolor completou 11 anos na fila de gargarejo, sem levantar um caneco importante. E o Corinthians chegou aos trancos e barrancos ao vestibular do torneio continental. Com muito menos investimento, mas com um ‘professor’ de primeira, Jorge Sampaoli, o Peixe deixou os três coirmãos na poeira. Palmeirenses, são-paulinos e corintianos fecharam o ano em ritmo de fim de feira. Conseguiram ser piores que o VAR.

Zé Corneta. La­drão que rou­ba la­drão tem 100 anos de perdão… e ainda vive nababescamente no Dis­tri­to Fe­de­ral.

Sanguessugas. Os endividados clubes brasileiros movimentaram a bagatela de R$ 8 bilhões em transferências entre 2003 e 2018. O soberano São Paulo comanda o ranking com pouco mais de R$ 1 bilhão. Saci colorado (R$ 827 milhões) e Corinthians (R$ 736 milhões) completam o pódio das moedas. O levantamento é da consultoria Sports Value. O Flamengo aparece em 11º, com R$ 381 milhões. Ano passado, os negócios atingiram R$ 1,3 bilhão, recorde na pátria das chuteiras furadas, um crescimento de 32% em relação a 2017 (R$ 960 milhões). De acordo com a mamãe Fifa, o atleta brasileiro proporcionou a maior geração de receitas para os clubes em 2018, algo em torno de R$ 1,3 bilhão. Mas todos estão de pires na mão.

Sugismundo Freud. Faça da vida um jogo de futebol… Chute a tristeza, drible a dificuldade e marque gols de alegria. Que venha 2020!

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Pires na mão. Passa ano, chega ano, e nada muda. Ou melhor, o buraco fica cada fez maior. Ninguém escapa da catastrófica situação financeira do esporte bretão. A corrida dos endividados é liderada pelo Botafogo, com R$ 730 milhões (sem contar este ano). Na sequência, Saci colorado (R$ 668 mi), Fluminense (R$ 630 mi), Galo (R$ 595 mi), Vasco (R$ 530 mi), Raposa (R$ 520 mi) e Corinthians (R$ 476 mi), sem contar os tijolinhos do Itaquerão, minha casa minha vida. O Flamengo ocupa a oitava posição, com R$ 469 mi, à frente de Palmeiras (R$ 462 mi) e Peixe (R$ 407 mi). No total, o calote dos principais clubes chega a bagatela de R$ 8 bilhões.

Papo na padoca. Alô Circo Brasileiro de Futebol! Quem nasceu para 25 de Março jamais será Quinta Avenida.

Pé de obra. Nada menos que 466 jogadores brasileiros estão espalhados pelos 31 principais campeonatos da Europa. A maioria defende times de Portugal, Rússia, Ucrânia, Bulgária e Finlândia, de acordo com o Observatório do Futebol do CIES (Centro Internacional de Estudos do Esporte). O exército nacional representa 10,3% do total de gringos por lá. Nas ligas mais importantes, as chuteiras made in Brazil são menores. Na Alemanha, Espanha e Inglaterra há mais franceses, 115 contra 104. A única das ligas analisadas que não conta com nenhum brasileiro é a da Escócia. O top 5 do CIES: Brasil – 466; França – 350; Espanha – 224; Portugal e Sérvia – 172.

Caiu na rede. O rubro-negro Júlio César adora entregar taça de Mundial: 2010, 2014 e 2019.

Happy Holidays. O blogueiro decidiu encher o saco do Papai Noel e pular sete ondas no deserto. Muita farofa, espetinho de uva-passa e tubaína sem gelo. Curta a vida. Ninguém é de ferro. As cacetadas voltarão em 13 de janeiro – ou a qualquer momento, se aparecer uma patacoada.

Gilete press. Do pequeno grande Tostão, na Folha: “Nos esportes e em todas as atividades, não são apenas as teorias, as brilhantes teses, as detalhadas pesquisas e os ótimos trabalhos acadêmicos que explicam e promovem as transformações individuais e coletivas. São também os fatos marcantes e os ruídos avassaladores, às vezes, imprevisíveis e surpreendentes. O Flamengo é o fator novo, marcante, o grito de desespero que pode recuperar o futebol brasileiro. Será difícil, porque o doente está grave, melancólico, sem vida, refém de décadas de mesmice e mediocridade.” Bingo!

Tiro curte. Futebol é mesmo uma arte: em um segundo você pode criar uma obra-prima ou o maior fiasco da vida.

Tititi d’Aline. O soberano São Paulo fechará a temporada em magnífico astral: CA de Barros e Silva, o popular Leco, admitiu rombo de R$ 180 milhões no tira, põe, deixa ficar de 2019; ‘virgindade’ do time completou oito anos sem caneco; zagueiro Arboleda homenageou Palmeiras e ‘titia’ Leila Crefisa ao colocar o enxoval do vizinho de CT numa festa no Equador; goleiro Jean agrediu mulher e foi preso nos EUA; e atacante Helinho se envolveu num bafafá em boate de Sertãozinho, com direito a socos e pontapés.

Você sabia que… o pavão de hoje pode ser o espanador de amanhã?

Bola de ouro. Flamengo. Um ano quase perfeito. Fez barba, cabelo e bigode (campeão do Carioquinha, do Brasileirão e da Libertadores). Mudou o patamar do ludopédio nacional. Sagrou-se vice mundial com méritos. O Liverpool pensou que iria pegar uma galinha morta e só resolveu a parada na prorrogação. A lamentar, e muito: até agora, não resolveu o problema dos garotos mortos na tragédia do Ninho do Urubu, mesmo com dinheiro suficiente para fechar um acordo com os familiares das vítimas. Há mais de 10 meses, o Rubro-negro vem empurrando o drama com a barriga. Inadmissível!

Bola de latão. Raposa. Ninguém brilhou tanto nesta temporada. Dentro e fora de campo. Pela primeira vez, o pão de queijo queimou na elite do Brasileirão e vai participar da supimpa segundona. Atolado em dívidas, o clube está à beira da bancarrota. Graças ao tilintar frenético das moedas, frequentou com assiduidade as páginas policiais. Um ano inesquecível para o cruzeirense.

Bola de lixo. Brasil: ano novo, chuteira velha. Esdrúxulos campeonatos estaduais, calote no salário, invasões de vândalos a CTs e aeroportos, caça-níqueis da amarelinha desbotada, cartolas sacanas, calendário desumano… A locomotiva Flamengo, por exemplo, disputará seis torneios: Supercopa do Brasil contra o Furacão, Recopa Sul-americana diante do Independiente del Valle, Carioquinha, Copa do Brasil, Brasileirão e Libertadores. A maratona pode chegar a sete se voltar ao Mundial do Catar. Já os engravatados de colarinho branco permanecerão em luxuosas salas com ar-condicionado, descendo ao campo apenas para entregar os prêmios.

Bola sete. “O Flamengo mostrou que, sim, é possível desafiar equipes poderosas da Europa. Mas para vencê-las, é necessário avançar mais, chegar a um estagio mais alto. O Flamengo está, sim, em outro patamar no Brasil e em relação a boa parte do continente. E ele é elevado, mas ainda bem abaixo dos melhores times de futebol do mundo” (de Mauro Cezar Pereira, no Uol – é vero).

Dúvida pertinente. Futebol brasileiro, ano 2019: AJ e DJ – antes e depois de Jesus?

O que você achou? jr.malia@bol.com.br

 

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