Depois das vaias, VAR abre a porteira e amarelinha desbotada despacha os bolivianos

De cabeça, Coutinho marca o segundo gol 

Não é mole não, encarar a seleção… O grito de guerra da torcida ficou entalado na garganta. Apesar da vitória por 3 a 0 sobre a Bolívia, em um Morumbi com apenas 46.342 torcedores (silenciosos), a amarelinha desbotada deixou a desejar na estreia da Copa América. Esperava-se uma chuva de gols, como nos 7 a 0 contra Honduras, já que os bolivianos não comemoram um triunfo há oito meses. Ao final do primeiro tempo, a galera vaiou o ‘oxo’.

O time do ‘professor’ Tite fez a lição de casa e manteve um tabu: 55 anos sem perder na capital paulista. Para felicidade da cartolagem da Conmebol, a renda atingiu R$ 22,4 milhões, recorde – a média de preço do ingresso girou em torno de R$ 470. Philippe Coutinho (dois) e Everton Cebolinha marcaram os gols.

O time brasileiro aproveitou a fragilidade dos bolivianos, reconhecida pelos próprios antes de a bola rolar, e tratou de pressionar desde o começo da partida. Chegou a envolver a zaga várias vezes, porém finalizou somente uma vez no alvo, num chute de Firmino defendido por Lampe.

À medida em que o tempo foi passando, a produtividade da amarelinha desbotada foi caindo. E a retranca dos bolivianos acabou prevalecendo, já que a equipe passou a insistir nos cruzamentos.

Ao final do primeiro tempo, a recompensa pelo ótimo espetáculo apresentado: o Morumbi desabou em vaias. Merecidas. O time brasileiro arrematou 12 vezes contra duas da Bolívia, teve mais de 70% de posse de bola, mas nenhuma chance de gol.

No segundo tempo, o VAR abriu a porteira boliviana logo aos 3. Depois de um cruzamento de Richarlison da direita, a bola bateu no braço de Jusino. Sua senhoria, o assoprador de apito Nestor Pitana, reviu o lance na casinha da engenhoca e marcou pênalti. Philippe Coutinho cobrou e saiu para o abraço.

Quatro minutos depois, Philippe Coutinho aproveitou cruzamento de Firmino e concluiu de cabeça: 2 a 0. O meia do Barça tem agora 16 tentos na equipe nacional.

Com os bolivianos na lona, a equipe de Tite diminuiu o ritmo. Só voltou a pegar um pouco no breu com a entrada de Everton Cebolinha no lugar David Neres. O atacante do Grêmio driblou dois marcadores e chutou no ângulo esquerdo de Lampe. Um golaço aos 39. Antes, Willian havia substituído Richarlison.

Depois do gol de Cebolinha, a amarelinha desbotada limitou-se a trocar passes, sob gritos de ‘olé’ da torcida. Os brasileiros chegaram a 100ª vitória na história da Copa América. Empataram 35 vezes e perderam 44. Na próxima terça, brasileiros e venezuelanos jogarão em Salvador pela segunda rodada do grupo A.

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Pitaco do Chucky. O ‘professor’ Tite nunca esteve tão tranquilo à frente da amarelinha desbotada: é ganhar ou ganhar a Copa América.

Voo do canarinho. A amarelinha desbotada está com a bola cheia no coração da galera. Nada menos que 39,6% torcedores acreditam na conquista do título da Copa América, contra apenas 46% de pessimistas. Já 14,4% não responderam. Os números são do Instituto Paraná Pesquisas, após enquete realizada entre 4 e 6 deste mês. A margem de erro é de 2 %. O interesse da galera pela competição também é supimpa: 23,7% estão ligados. Nem aí ou pouco interessados somam 70% (36,2% e 33,8%, respectivamente). Apenas 3,4% estão muito interessado; 2,9% não responderam.

Zé Corneta. The Intercept Brasil: uma aula de jornalismo.

Amigos do rei. Aos cupinchas, tudo; aos clubes, suco de jiló. A nobre política do imperador ostentação Del Nero, banido do esporte por corrupção, permanece com Rogério Caboclo no trono do Circo Brasileiro de Futebol. Ele ameaçou represálias contra Peixe e Furacão se escalassem o atacante Rodrygo e o lateral Renan Lodi em jogos do Brasileirão, porque deveriam estar a serviço da seleçãozinha no mequetrefe Torneio de Toulon. Já o coordenador da amarelinha desbotada Edu Gaspar foi liberado do pagamento da multa de R$ 8 milhões para poder trabalhar no Arsenal. O ex-auxiliar Sylvinho também não mexeu no bolso antes de acertar como treinador do Lyon.

Sugismundo Freud. Quem respira jamais pode perder a esperança.

Ditadura das chuteiras. ‘Quando um jogador é chamado para a seleção, ele não pode e não deve ser desconvocado’ – o autoritarismo é vociferado pelo poderoso chefão do Circo Brasileiro de Futebol, Rogério Caboclo. Cria do abominável imperador Del Nero, o impoluto cartola banido do esporte por corrupção, Caboclo é mais um nefasto dirigente que se julga no direito de determinar os passos de um atleta na pátria das chuteiras furadas. Mesmo sem recompensar o clube com um mísero centavo pela cessão do atleta, o cartola ignorou solenemente o pedido de liberação do atacante Rodrygo, do Peixe, e do lateral Renan Lodi, do Furacão.

Ditadura das chuteiras 2. Eles foram chamados para defender a seleçãozinha no mequetrefe Torneio de Toulon, um armarinho da bola com grife. Antony (São Paulo), Pedrinho e Mateus Vital (Corinthians), Guga (Galo), Matheus Henrique (Grêmio) e Pedro (Fluminense) estão à disposição dos sedentos olhares dos agentes. Na verdade, Santos e Athletico colhem apenas os frutos da submissão dos times aos engravatados de colarinho branco que se encastelaram no poder.

Caiu na rede. A verdadeira seleção é o Palmeiras.

Zapping. A torcida global é tanta que o narrador Galvão Bueno não aguentou após a marcação do primeiro gol e soltou: ‘Santo VAR’. Já quando o público de 47 mil foi anunciado, sapecou: ‘Muita gente comprou e esqueceu de vir. Falaram em 67 mil ingressos vendidos’.

Luto. Clóvis Rossi (1943-2019), um mestre do jornalismo que se foi. Jamais será esquecido. Aos 76 anos, o palmeirense Rossi deixa mulher, três filhos e três netos.

Gilete press. Do ex-presidente Lula, à emissora TVT: “A Globo teve pressa e voracidade para defender a inocência de Neymar. Eu não posso dizer que o Neymar tem culpa, e nem que a moça está mentindo. A moça virou vagabunda antes de qualquer possibilidade.” Fato.

Tititi d’Aline. A Copa América é tão importante, mas tão importante, que aparece em uma honrosa nona colocação na preferência do torcedor brasileiro. Come poeira do Brasileirão, Libertadores, Copa do Mundo, Copa do Brasil, Champions e Mundial de clubes… A pesquisa foi realizada pela Sport Track.

Bola de ouro. Everton Cebolinha. Já está merecendo a titularidade no time de Tite. Em pouco tempo, fez muito mais que David Neres contra a Bolívia, com direito a um golaço. Mas

Bola de latão. Fernandinho. Mais uma atuação pífia do meio-campista, um dos xodós do ‘professor’ Tite. Que também errou ao colocar dois volantes, Fernandinho e Casemiro, para encarar um adversário muito fraco. Outra decepção: Firmino.

Bola de lixo. Bolívia. O tempo passa, e nada muda: eterno coadjuvante de terceira categoria. Timeco.

Bola sete. “Torcida espera gols, que saia o gol logo, mas mantivemos a paciência. Estreia tem nervosismo, mas no segundo tempo conseguimos consertar o último passe. É um bom resultado, agora é focar no próximo jogo para conseguir a classificação o quanto antes” (de Richarlison, sobre as vaias da torcida – blá-blá-blá).

Dúvida pertinente. O duelo contra a Bolívia serviu pra quê?

O que você achou? jr.malia@bol.com.br

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